• Odontologia: objetos e práticas

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O oficio de dentista nasceu na pré-história junto com a medicina, já seus primeiros registros datam do ano de 3500 a.C. na Mesopotâmia, quando o homem começou sistematizar a arte de curar doenças e amenizar dores.  A odontologia prática passou por todos os tempos e todos os povos, Egito, Grécia, Roma, os reinos medievais, até ser trazida para as Américas junto com as navegações européias, consolidando-se no novo continente. Advinda da medicina, transpassou obstáculos e caminhos parecidos, o curandeirismo, a magia e a religião muitas vezes respondiam pelos processos de cura e alivio das dores.

Do século XII até o século XVII, o que predominava eram os “dentistas ambulantes”, eles não possuíam formação acadêmica, mas exerciam a profissão odontológica. Geralmente, atendiam pessoas que não possuíam boas condições financeiras. Os odontólogos ambulantes passavam de porta em porta com seus objetos de trabalho, ofereciam seus serviços e, para conquistar a clientela, faziam uso de diversas técnicas, incluindo mostrar pinturas e desenhos de pacientes curados, usar músicos e malabaristas para atrair pessoas, dentre outras coisas. Eles atendiam boa parcela da população, mas não escapavam de críticas por parte dos profissionais verdadeiramente capacitados, estes alegavam que os odontologistas ambulantes eram mal treinados, inaptos e muitas vezes verdadeiros charlatães ou farsantes.

No Brasil, durante o período Colonial, a “arte dentária” era praticada por ex-escravizados alforriados ou então por pessoas simples com algum conhecimento de medicina, mas sem estudo formal, estes exerciam o oficio graças à demanda e de forma precária. Até a chegada da corte portuguesa em nosso país, em 1808, os chamados de “dentistas-barbeiros” eram tudo o que o país tinha, já que o Brasil não possuía escolas de medicina odontológica ou qualquer tipo de qualificação na área.  Estes “dentistas práticos” eram os mestres de oficio que chegaram ao país após a criação das capitanias hereditárias, entre 1534 e 1536. Por terem grande habilidade manual, os barbeiros passaram também a atuar na região da boca, fazendo inclusive extrações, já que muitos cirurgiões se abstinham desta intervenção, por falta de conhecimento ou por receio. Além disso, existia também o dentista sangrador, este realizava sangrias através de ventosas ou mesmo sanguessugas, para, após isso, extrair o dente.

Até o século XVIII a odontologia no Brasil passou por poucas modificações, foi só com a chegada de Dom João VI que as primeiras universidades nacionais abriram e chegam a este território os primeiros profissionais dentistas diplomados, advindos da França e dos Estados Unidos. Na data de 25 de Outubro de 1884, a partir do Decreto nº 9.311, fica determinada pela primeira vez, a criação do curso de Odontologia no Brasil, anexada ás Escolas de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro. Este foi o primeiro passo para a regulamentação da profissão, porém ainda houve um longo caminho até a extinção dos “dentistas-barbeiros”.

Em São José dos Pinhais, o oficio de dentista esteve presente desde os primórdios do município, Luiz Vitorino Ordine, que no ano de 1900 foi o primeiro prefeito eleito da cidade, era também conhecido como “dentista”, mesmo sem ter freqüentado a escola de medicina. O primeiro diplomado da cidade foi Flávio Zetola, graduado no curso de Odontologia na Universidade Federal do Paraná em 14 de Dezembro de 1937, são doações de objetos dele que compõe grande parte do acervo reunido nesta sala, que busca replicar o interior de um consultório de dentista de meados dos anos 1950.

Fontes:

CARVALHO, Cristiana Leite. Dentistas práticos no Brasil: história de exclusão e resistência na profissionalização da Odontologia brasileira. Tese. (Doutorado em Saúde Pública) Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro. 2008. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/4513/2/ve_Cristiana_Carvalho_ENSP_2003. Acesso em 14 de Janeiro de 2022

MARTINS, Y.V.M.; DIAS, J.N.; LIMA, I.P.C. A evolução da prática odontológica brasileira. Rev. Nova Esperança. João Pessoa, v.16, n.3, p. 83-90, Dez/2018. Disponível em: http://www.facene.com.br/wp-content/uploads/2018/12/CAP-10_N3.pdf. Acesso em 20 de janeiro de 2022

SILVA, Ricardo Henrique; SALES-PERES, Arsêneio. Odontologia: um breve histórico. Revista Odontologia Clínica-Científifica. Edição jan/mar. Recife. 2007. Disponível em: http://www.ricardohenrique.com.br/artigos/crope-historia.pdf.  Acesso em 14 de Janeiro de 2022

ULBRICHT, Cláudia. Considerações ergonômicas sobre a atividade de trabalho de um cirurgião dentista. Dissertação. (Mestrado em Engenharia de Produção). Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2000. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/79086/171458.pdf. Acesso em 24 de janeiro de 2000