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A fotopintura é uma técnica que, como o próprio nome sugere, mescla conceitos da fotografia e da pintura. O processo consiste em colorir uma base fotográfica de baixo contraste, com o objetivo de conferir maior vivacidade às tradicionais fotos em preto e branco.

Surgida em meados do século XIX, possivelmente em 1863, por criação do francês André Adolphe Eugène Disdéri, a fotopintura conta com a vantagem de não exigir grande talento por parte do colorista, o que não dispensa a criatividade do artista. Muitas vezes estes criavam detalhes que não existiam nas fotografias originais, especialmente no que diz respeito às roupas, adereços e ao cenário (paletós, vestidos e colares muitas vezes não existiam no retrato original).

No Brasil, especialmente no nordeste, onde essa técnica teve mais adeptos, isso fazia com que muitas pessoas humildes que não tinham condições de portar vestimentas requintadas, possuíssem em suas casas retratos que lhes conferiam, ao menos imageticamente, maior prestígio social. Além disso, o artista também podia corrigir certas imperfeições estéticas, chegando a ser comparado com o famoso “Photoshop” dos tempos modernos.

Embora tenha sido um processo de grande adesão por algum tempo, a fotopintura perdeu espaço com a disseminação da fotografia colorida nas primeiras décadas do século XX.

Esses retratos atualmente possuem grande valor histórico, tanto por terem sido uma solução engenhosa para dificuldades tecnológicas, mas, sobretudo por destacar características não originais que refletem os desejos e aspirações dos retratados.