• Ernani Zetola: vida e obra

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Ernani Zetola, infância, educação e trabalho


Ernani Zetola deu início à sua educação no Colégio São José, uma escola de freiras na qual sua mãe, católica devota, desejava que estudasse. Após completar a primeira série, Ernani quis acompanhar os amigos da vizinhança e se transferiu para o Grupo Escolar Silveira da Motta. Em 1934 prestou exame e foi aprovado para iniciar o ginasial no Colégio Novo Ateneu, em Curitiba.

Ernani realizou, também, um curso de técnico em contabilidade na Escola Técnica de Comércio de “De Plácido e Silva”, no ano de 1950, mas nunca exerceu essa profissão.
Com 19 anos de idade, foi aprovado em um concurso público e ingressou no Departamento de Correios e Telégrafos, em Curitiba. Ao longo de 33 anos exerceu diversas funções, dentre elas a de praticante de escritório, de postalista e de telegrafista operador de baudot, aposentando-se em 1973.

Ernani colunista


Ernani Zetola estreou na imprensa local aos 31 anos, no dia 09 de novembro de 1952, no Correio de São José, onde foi publicada pela primeira vez a “Coluna da Saudade”. O intuito seria “prestar uma singela homenagem às pessoas queridas e populares que viveram nesta cidade”. Ernani assinou sua primeira coluna com o nome de “Filho da Terra”, o uso de pseudônimos foi uma de suas marcas como colunista.

A 1ª “Coluna da Saudade”, de 09 de Novembro 1952, retratando Nhá Thereza Quintiliano.
Ao longo das décadas de 1950 e 1990, Ernani escreveu também diversas colunas sociais, elas tratavam de assuntos locais, como: casamentos, aniversários, cultura, moda e política, tudo isso com humor e ironia.

As Dez Mais Elegantes de São José dos Pinhais


Na década de 1950, Ernani publicou pela primeira vez a lista das “Dez Mais Elegantes”, que, ao contrario do que o nome sugere, eram elencadas de acordo com diversos critérios, como “guarda-roupa, cultura, inteligência, educação, personalidade, entre outros”.
Concluída a eleição, Ernani entrevistava as selecionadas para publicar, além de suas respectivas fotos, a profissão que exerciam, seus hobies e o nome do marido e filhos (caso possuíssem). Os nomes das vencedoras eram organizados por ordem alfabética, não havendo classificação entre elas.

Uma versão masculina da votação também existiu, chamava-se, “Os Dez Mais Elegantes”. Para serem eleitos, “os cavalheiros deviam ter boa aparência, charme e saber se portar corretamente”, além da inteligência, que era um critério “importantíssimo”.

Centro Cultural Scharffenberg de Quadros.

Junto a um grupo de jovens que compartilhavam do interesse pela arte, pela música e pela literatura, e que tinham como objetivo promover a cultura em São José dos Pinhais, Ernani fundou, no dia 5 de outubro de 1953, o Centro Cultural Scharffenberg de Quadros.
Este espaço organizou diversas atividades e eventos sociais para seus associados, como bailes, bingos dançantes, festas beneficentes,“noitadas” lítero-musicais, nas quais artistas e intelectuais do município apresentavam seus talentos e suas produções. Além desses eventos, que costumavam ocorrer nos salões de festa do São José Sport Clube, o Centro Cultural promoveu excursões a diversos pontos turísticos do Paraná e de Santa Catarina.

Fundação do museu


A preservação da história de São José dos Pinhais foi uma atitude constante na vida de Ernani Zetola. Esse interesse, presente desde sua infância, permitiu-lhe a realização de um grande sonho: fundar, em 19 de setembro de 1977,o Museu Municipal de São José dos Pinhais. Já no ano seguinte, o idealizador é convidado a ocupar o cargo de diretor.

Assinatura da Lei 34 de 1977, criando o Museu Municipal de São José dos Pinhais.
Nos anos em que trabalhou no Museu, Ernani não somente o dirigiu, mas atuou diretamente em todas as áreas necessárias para o funcionamento da instituição. Além das pesquisas históricas, Ernani também cuidava da manutenção, limpeza e do restauro do acervo, montava exposições, realizava as mediações com visitantes, todo o trabalho técnico musicológico e administrativo.
Ernani, mesmo após se aposentar, não se afastou por completo do Museu, sempre fazia visitas esporádicas e, em 2004, colaborou com a construção da maquete que remete a São José dos Pinhais da década de 1920, ferramenta fundamental para Educação Patrimonial.


Grupo Folclórico Italiano

Ernani Zetola, como descendente, tinha uma grande proximidade com a cultura da Itália. Esta conexão levou-o a fundar, em 1963, o Grupo Folclórico Italiano, que tinha como principal objetivo a preservação das danças tradicionais deste país. Além de fundador, Ernani também era o coreógrafo do Grupo, que realizava seus ensaios em espaços emprestados na cidade.

A falta de apoio e de um local adequado para os ensaios no município se tornou um obstáculo e, em 1966, o Grupo filiou-se a Sociedade Garibaldi, em Curitiba, adotando o nome de Grupo Folclórico Italiano Garibaldi. Por motivos de saúde, Ernani se distanciou em 1969 e, devido à ausência do mentor, o grupo acabou por se dissolver.
Mesmo após este evento, Ernani continuou trabalhando em diversos grupos dedicados a cultura italiana, como o Grupo Folclórico Italiano Garibaldi e o Grupo Folclórico Dante Alighiere, onde contribuiu até 1978 quando, devido a sua idade avançada, acabou por se afastar.